quinta-feira, 20 de agosto de 2026
Pacto Brasil Contra o Feminicídio reforça prevenção e proteção às mulheres
Audiência pública reuniu autoridades e movimentos sociais para discutir ações contra o Feminicídio
O fortalecimento da prevenção, da rede de proteção e da autonomia econômica das mulheres foi apontado como fundamental para evitar que situações de violência cheguem ao feminicídio. O tema esteve no centro da audiência pública “Balanço do Pacto Brasil Contra o Feminicídio”, realizada nesta terça-feira (18), na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP).
Proposto pelas deputadas estaduais Ana Júlia Ribeiro e Luciana Rafagnin, o encontro reuniu representantes dos governos federal e estadual, parlamentares, organizações e movimentos sociais para discutir os avanços e os desafios das políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres. Entre as participantes esteve a FETAEP, representada pela vice-presidente e secretária de Mulheres, Ivone Francisca de Souza, pela coordenadora de Mulheres da Regional Centro-Sul e presidente do Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais de Boa Ventura, Adenilda Korchak, pela assessora da FETAEP, Jéssica Cordeiro, e por Débora das Graças, do município de Inácio Martins. A presença reforçou a participação das mulheres trabalhadoras rurais na construção e no acompanhamento das políticas públicas de enfrentamento à violência.
Prevenir antes que a violência chegue ao extremo
Durante a audiência, a primeira-dama Janja da Silva destacou que o enfrentamento ao feminicídio precisa começar antes da violência extrema, com proteção imediata, autonomia econômica, integração entre as instituições e mudança cultural.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, também defendeu o fortalecimento da rede de prevenção, acolhimento e proteção. Segundo ela, é necessário garantir que as mulheres tenham acesso efetivo aos serviços públicos e não fiquem desamparadas diante de situações de violência.
A deputada federal Gleisi Hoffmann ressaltou a importância da atuação conjunta entre as instituições. Para ela, cada órgão tem uma responsabilidade no enfrentamento à violência, e a rede precisa funcionar de forma integrada para evitar que a mulher tenha que buscar sozinha, em diferentes serviços, a proteção de que necessita.
Segurança e atendimento às vítimas
Na área da segurança pública, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, apresentou ações voltadas à responsabilização dos agressores e à proteção das mulheres. Entre elas está a Operação Mulher Segura, que busca localizar pessoas com mandados de prisão relacionados à violência contra as mulheres, realizar prisões e integrar informações.
O ministro também destacou a necessidade de ampliar o atendimento às vítimas, incluindo a assistência odontológica. Muitas mulheres sofrem agressões no rosto, com lesões e perdas dentárias que podem deixar consequências físicas e emocionais. A proposta é que a rede de proteção também contribua para a recuperação e a reconstrução da vida dessas mulheres.
Durante o balanço, foram apresentadas ainda ações de fortalecimento da estrutura de atendimento, como a construção e ampliação das Casas da Mulher Brasileira, a entrega de veículos e equipamentos para a rede de proteção e o fortalecimento dos Conselhos Municipais dos Direitos da Mulher.
Mulheres rurais também precisam estar na rede de proteção
Para a FETAEP, as políticas de enfrentamento à violência precisam considerar também a realidade das mulheres que vivem no campo. "A distância dos serviços públicos, as dificuldades de acesso à informação e a dependência econômica podem tornar ainda mais difícil romper situações de violência", pontua Ivone Francisca de Souza. Por isso, a Federação defende o fortalecimento da organização das mulheres trabalhadoras rurais, a ampliação do acesso à informação e aos serviços públicos e a presença efetiva das mulheres do campo nas políticas de prevenção e proteção.
A audiência reforçou que o enfrentamento ao feminicídio não termina na punição do agressor. É preciso prevenir, proteger e garantir condições para que as mulheres tenham autonomia e consigam romper o ciclo de violência antes que ele chegue ao extremo.


