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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Juventude rural precisa de oportunidades, participação e políticas públicas

A permanência dos jovens no campo depende de um conjunto de fatores que vão além da geração de renda

Em conversa com a jornalista Paola Manfroi, a dirigente abordou temas como sucessão rural, acesso à terra, conectividade, educação do campo e políticas públicas voltadas às novas gerações.

Os desafios e as oportunidades para a permanência da juventude no campo estiveram em pauta durante entrevista concedida por Tainá Guanini de Oliveira, secretária de Juventude da FETAEP, ao programa Semeando Informação, da TV Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP). Em conversa com a jornalista Paola Manfroi, a dirigente abordou temas como sucessão rural, acesso à terra, conectividade, educação do campo e políticas públicas voltadas às novas gerações da agricultura familiar.

Durante a entrevista, Tainá destacou que a permanência dos jovens no meio rural depende de um conjunto de fatores que vão além da geração de renda. Segundo ela, infraestrutura adequada, acesso à internet, oportunidades de formação, participação nos processos de decisão e políticas públicas eficientes são fundamentais para que a juventude construa perspectivas de futuro no campo.

“A juventude quer permanecer no campo, mas precisa encontrar condições concretas para isso. Estamos falando de acesso à terra, crédito, comercialização, conectividade, cultura, lazer, educação e participação na gestão das propriedades”, afirmou.

Ao abordar a realidade das jovens mulheres rurais, a secretária ressaltou que ainda existem desafios relacionados à desigualdade de gênero. Em muitos casos, os homens continuam sendo vistos como os principais sucessores das propriedades, enquanto as mulheres têm menor participação nos espaços de decisão. Por isso, a FETAEP desenvolve ações integradas entre as secretarias de Juventude e de Mulheres, fortalecendo a formação de lideranças e a autonomia econômica das agricultoras.

A conectividade também foi apontada como uma necessidade básica para o desenvolvimento rural. Apesar dos avanços registrados no Paraná, ainda existem comunidades e propriedades com acesso limitado à internet. Para Tainá, a inclusão digital é indispensável para o acesso à educação, às políticas públicas, aos serviços bancários, às informações de mercado e às tecnologias que fazem parte da atividade agrícola.

Outro ponto de destaque foi a sucessão rural. Segundo a dirigente, a transição da gestão das propriedades entre pais e filhos ainda enfrenta desafios culturais, especialmente quando as decisões permanecem concentradas nas gerações mais antigas. Nesse contexto, a FETAEP tem incentivado o diálogo familiar e a participação gradual dos jovens na administração das propriedades, buscando construir processos sucessórios planejados e sustentáveis.

A entrevista também abordou a importância da regularização documental das propriedades e da inclusão dos jovens no Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), condição que amplia o acesso às políticas públicas voltadas ao setor. Além disso, Tainá destacou o potencial de programas como o Pronaf Jovem e o Programa Nacional de Crédito Fundiário para ampliar as oportunidades de acesso à terra e investimento produtivo para as novas gerações.

Na área da educação, a dirigente reforçou a importância das Casas Familiares Rurais e da pedagogia da alternância, modelo que permite aos estudantes conciliar a formação escolar com a vivência nas propriedades e comunidades. Segundo ela, esse sistema tem papel importante na formação de jovens preparados para atuar na agricultura familiar e contribui diretamente para os processos de sucessão rural.

Ao falar sobre o Plano Nacional de Juventude e Sucessão Rural, Tainá avaliou como positiva a retomada da política e destacou a necessidade de sua implementação nos estados e municípios. A expectativa da FETAEP é que as diretrizes nacionais resultem em programas e ações concretas voltadas ao acesso à terra, geração de renda, educação, infraestrutura, conectividade, sustentabilidade, esporte, cultura e lazer.

Para a secretária, o fortalecimento da juventude rural passa pela construção de oportunidades e pelo reconhecimento dos jovens como protagonistas do desenvolvimento da agricultura familiar.

“A agricultura familiar oferece qualidade de vida, oportunidades e perspectivas para as novas gerações. O desafio é garantir que os jovens tenham condições reais de construir seu futuro no campo”, concluiu.