quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Mulheres rurais do Paraná fortalecem organização e lançam Marcha das Margaridas 2027
Encontro Estadual da FETAEP reuniu mulheres de diferentes regiões do Paraná em dois dias de formação
O protagonismo, a participação política, a organização sindical e o fortalecimento das mulheres estiveram no centro dos debates do Encontro Estadual das Mulheres Trabalhadoras Rurais, promovido pela FETAEP, em Curitiba, nos dias 24 e 25 de agosto.
Durante os dois dias de atividades, mais de 160 mulheres trabalhadoras rurais, de diferentes regiões do Paraná, participaram de momentos de formação, troca de experiências e reflexão sobre temas fundamentais para sua atuação nas comunidades, nos Sindicatos e nos espaços de representação política e social.
O Encontro também marcou o lançamento oficial da 8ª Marcha das Margaridas, que será realizada em agosto de 2027, dando início a uma nova etapa de mobilização e organização das mulheres trabalhadoras rurais em todo o país.
A abertura contou com a presença de diversas autoridades e lideranças, entre elas o presidente da FETAEP, Alexandre Leal dos Santos; a vice-presidente e secretária de Mulheres da Federação, Ivone Francisca de Souza; a secretária de Juventude, Tainá Guanini de Oliveira; o secretário de Política Agrária, Aparecido Callegari; a superintendente do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) no Paraná, Leila Klenk; a secretária de Mulheres Rurais da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (CONTAG), Melissa Vieira; a professora Nelsi Welter; e o deputado estadual Professor Lemos.
Durante a abertura, o presidente da FETAEP, Alexandre Leal dos Santos, ressaltou a importância do trabalho desenvolvido pela Secretaria de Mulheres e destacou o esforço coletivo das lideranças, coordenadoras regionais e equipes da Federação para fortalecer a organização sindical. “A Ivone não tem medido esforços para percorrer o Paraná, participar dos eventos municipais e regionais, coordenar as atividades estaduais e levar a voz das mulheres para dentro da nossa Confederação. Ficamos muito felizes de tê-la na diretoria e à frente desse trabalho”, destacou.
Uma caminhada construída coletivamente
Ao destacar a importância da organização das mulheres dentro do Movimento Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, Melissa Vieira lembrou que as conquistas alcançadas ao longo dos anos são resultado de uma trajetória coletiva de mobilização. “A nossa luta é feita por mulheres que estão nos Sindicatos, nas Federações e na CONTAG, mas também nas comunidades e nos espaços de poder e decisão. Somos as mãos que plantam, que colhem e que produzem o alimento que chega à mesa dos trabalhadores brasileiros”, pontuou.
Melissa também ressaltou o momento histórico vivido pelo movimento sindical, com a eleição da primeira mulher para a presidência da CONTAG. Para ela, essa conquista representa mais um avanço da participação feminina nos espaços de decisão. “A nossa luta não começa em Brasília. Ela começa nos territórios, na conversa com a companheira que está ao lado, nas comunidades, nas igrejas, onde existe uma, duas, três mulheres. Nós andamos juntas e não deixamos ninguém para trás”, afirmou.
Representando o MDA, Leila Klenk destacou a importância das políticas públicas conquistadas a partir da luta e da mobilização das mulheres trabalhadoras rurais. Segundo ela, programas e iniciativas voltados à agricultura familiar precisam chegar efetivamente às comunidades, garantindo que as mulheres conheçam seus direitos e tenham condições de acessar as políticas públicas.
“Nenhuma política pública chega ao campo sem luta. Nenhuma conquista acontece sem organização. Seja na Marcha das Margaridas, seja por meio da FETAEP, dos Sindicatos e das organizações de base, é a mobilização das mulheres que transforma reivindicações em políticas públicas.” Leila também fez um chamado para que as mulheres reconheçam sua força e ocupem os espaços aos quais têm direito. “Precisamos erguer a coluna, levantar a cabeça e compreender que temos direito à voz e aos espaços que historicamente também nos pertencem.”
Marcha das Margaridas 2027
Um dos momentos marcantes do Encontro foi o lançamento oficial da 8ª Marcha das Margaridas, que será realizada em agosto de 2027. A mobilização representa uma das principais expressões de organização e luta das mulheres trabalhadoras rurais e deverá envolver, nos próximos meses, atividades de formação, debates e mobilizações em todo o Paraná.
Ao falar sobre a Marcha, a vice-presidente e secretária de Mulheres da FETAEP, Ivone Francisca de Souza, destacou a caminhada construída pelas mulheres ao longo dos anos e o legado de Margarida Alves para as gerações que seguem organizadas na luta por direitos.
“Ela deixou sementes, e essas sementes continuam germinando em cada mulher que se organiza, participa e luta pelos seus direitos”, afirmou.
Ivone também reforçou que nenhuma conquista acontece de forma individual e destacou a importância da atuação conjunta entre Sindicatos, Federação, CONTAG, entidades parceiras e, principalmente, das mulheres que atuam nas bases e nas regionais.
Mulheres do campo que alimentam, cuidam e transformam
Além da abertura política e dos debates sobre organização sindical, o Encontro contou com uma programação voltada à formação das participantes. Melissa Vieira conduziu o debate “Mulheres Rurais: Protagonismo, Liderança e Fortalecimento da Organização Sindical”. A vice-presidente e secretária de Mulheres da FETAEP, Ivone Francisca de Souza, conduziu a reflexão “Mulheres do Campo: Quem alimenta, cuida e transforma o Paraná”.
Já a assistente social Jéssica Zanco abordou os temas “Feminismo Camponês Popular: História e Identidade” e “Direito, Cidadania e Políticas Públicas para as Mulheres do Campo”, incluindo momentos de trabalho em grupo e discussão coletiva.
A programação também contou com a palestra “Autoconfiança, Liderança Feminina e Saúde Mental”, ministrada por Cleberson Viquete da Silva, especialista em liderança, desenvolvimento humano e saúde mental.
Para Ivone Francisca, mais do que um espaço de palestras e debates, o Encontro representou um momento de valorização das trajetórias, troca de experiências e preparação de novas lideranças. “Nós somos 53% da população, mas ainda ocupamos apenas uma pequena parcela dos espaços de poder. Precisamos mudar essa realidade. Nada veio de graça para nós. Cada espaço que conquistamos foi resultado de muita luta, organização e persistência”, salientou.


