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sexta-feira, 27 de março de 2026

Escala 6x1 no campo gera exaustão e riscos à saúde, alerta FETARP

“Trabalhar menos não significa produzir menos, mas produzir melhor”, afirma o presidente da entidade


Em meio ao debate nacional sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil, a FETARP (Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Assalariados Rurais do Estado do Paraná) defende o fim da escala 6x1 e a adoção de uma jornada semanal de 40 horas no campo, sem redução de salários. Segundo a entidade, a medida é urgente para garantir mais saúde, qualidade de vida e dignidade aos trabalhadores rurais, que, muitas vezes, passam mais de 12 horas por dia fora de casa. Nesse cenário, o único dia de descanso acaba sendo insuficiente, tornando-se apenas um período de recuperação física.

Para o presidente da FETARP, Carlos Gabiatto, o fim da escala 6x1 representa um avanço necessário. “A redução não é apenas uma questão trabalhista, mas também de justiça social e saúde pública. O trabalho deve servir à vida, e não o contrário”, afirma. Ele destaca que, além da carga horária elevada, é preciso considerar o tempo de deslocamento no meio rural, que amplia ainda mais a jornada real e impacta diretamente a qualidade de vida. “Estamos falando de trabalhadores exaustos, expostos a acidentes e ao adoecimento físico e mental”, ressalta.

Estudos do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) apontam que esse modelo limita o acesso ao lazer, à convivência familiar e ao desenvolvimento pessoal. A entidade também reforça que a redução da jornada não está relacionada ao aumento da informalidade. Dados do DIEESE indicam que quase metade dos trabalhadores rurais no Paraná já se encontra em situação informal, mesmo diante de jornadas extensas. Para Gabiatto, o problema está ligado à falta de fiscalização e de políticas públicas que orientem e responsabilizem os empregadores.

Experiências internacionais demonstram que a redução da jornada pode trazer benefícios como aumento da produtividade, melhora da saúde e maior satisfação dos trabalhadores. Diante desse cenário, a FETARP defende a adoção de modelos mais equilibrados, como a escala 5x2, garantindo dois dias de descanso semanal.

“Trabalhar menos não significa produzir menos, significa produzir melhor”, reforça o presidente.