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sexta-feira, 15 de agosto de 2025

FETAEP participa da Jornada de Agroecologia

Federação promoveu duas ações importantes durante o evento

Entre os dias 6 e 10 de agosto, aconteceu a 22ª Jornada de Agroecologia, em Curitiba. Foram mais de 30 mil visitantes, mais de 250 feirantes e 100 coletivos e empreendimentos da Economia Solidária, indígenas e cooperativas e associações da Reforma Agrária, na Feira da Agrobiodiversidade. Isso sem contar a programação de shows, seminários, oficinas e conferências. E a FETAEP participou da Jornada e se envolveu diretamente na organização de duas ações.


Uma delas foi o Seminário “Fortalecendo a Agroecologia: desafios e caminhos nas políticas públicas de compra direta”, organizado pela FETAEP, Terra de Direitos e EKO, que abordou as políticas públicas voltadas à agroecologia no Brasil, em especial a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO), o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Durante o seminário, foi feita uma reflexão coletiva sobre os obstáculos para que camponesas e camponeses, povos indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais consigam acessar essas políticas, para garantir que elas cumpram seu papel na construção da soberania alimentar e da justiça socioambiental.


O outro foi a Oficina/Seminário “Cuidar e Resistir: Mulheres e Sementes Crioulas Contra o Colapso Climático”, promovida pela FETAEP, EKOA, AOPA, CTB, ELAA e UBM/PR. Para Marina Tauil, doutoranda em Direito e integrante do EKOA Núcleo de Pesquisa e Extensão em Direito Socioambiental, a construção coletiva desde a idealização até a ocorrência do seminário, abriu a possibilidade de continuar essa conversa e trouxe caminhos para a continuidade dessas práticas ancestrais, fundamentais para coibir os impactos das mudanças climáticas. Segundo ela, é preciso organizar mais espaços de fala, olhar para os direitos dos agricultores (as), as legislações e o trabalho milenar das guardiãs da biodiversidade. “Espaços como este possibilitam troca de saberes e fortalecimento da conscientização do que é feito nos territórios”, comenta.


Na oficina prática de armazenamento e conservação de sementes crioulas, coordenada por Pâmela de Souza Silva, agroecóloga da Escola Latino Americana de Agroecologia/MST e Movimento pela Soberania Popular na Mineração-MG, foi apresentada a tecnologia social em que as guardiãs, usam garrafa pet e cinzas no processo. “A oficina foi realizada por mulheres, de forma a valorizar o papel das guardiãs, que, assim como as sementes, geram vida e garantem a sobrevivência. Nesta crise que vivemos, é importante produzir sementes e alimento, propiciar a soberania alimentar, além de tratar da problemática das sementes transgênicas e híbridas. Precisamos ter liberdade de produzir o que comemos”, explica, destacando a importância de repassar as sementes para os mais jovens, não deixando que a guardiania cesse.


Para Tainá, secretária de Meio Ambiente da FETAEP, a participação da Federação na Jornada destaca a grande expressão da agroecologia nas ações do movimento sindical de trabalhadores (as) rurais agricultores (as) familiares em defesa de uma sociedade mais justa, tendo a agroecologia como horizonte. “Precisamos avançar em políticas públicas estruturantes que atuem na produção agroecológica, como credito rural especifico, assistência técnica, abertura de novos mercados institucionais e um sistema produtivo estruturado para abastecer esses mercados. O atual contexto demanda uma intervenção agroecológica dos sistemas agroalimentares. Mais do que uma estratégia de adaptação a crise climática, a agroecologia é o caminho para um desenvolvimento rural sustentável e solidário, para a superação de uma sociedade que promove violência e desigualdade.”