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10/11/2017 | Agrícola

Agricultura familiar desperta para a produção orgânica e agroecológica

Agricultora de Altônia relata os desafios enfrentados para a migração da produção convencional para a orgânica e agroecológica

Entre os anos de 2002 e 2004, a agricultora de Altônia (Regional Noroeste Umuarama da FETAEP), Inês Paladini, participou de cursos que batiam sempre na mesma tecla - a de se alertar aos perigos do veneno utilizado nas plantações tanto para o solo quanto para a saúde. Foi aí que ela despertou e passou a amadurecer a ideia de migrar sua roça do cultivo convencional para o orgânico. No início não foi fácil, mas valeu a pena persistir.

“Ninguém acreditava que era possível plantar sem veneno, achavam que eu não ia conseguir”, relembra a agricultora, que foi por quatro anos coordenadora regional de Mulheres e atualmente atua como suplente. O esposo foi uma dessas pessoas que desacreditava nas técnicas empregadas no cultivo orgânico. “Ele não aceitava bem a ideia, mas com o passar do tempo foi se rendendo aos novos conceitos e também nos resultados”, diz Inês, que estava totalmente decidida a mudar a história de seu sítio, livrando sua terra dos agrotóxicos.

Em seu sítio o veneno foi substituído por repelente de pimenta, erva, esterco de vaca e de galinha, mamona, cascas de ovo, de banana e pó de café. Ela diz que pode observar a evolução da terra, depois de ter começado a ter mais cuidados “A terra começa a entender que não vai ter mais veneno e isso faz com que ela passe a ter mais qualidade”, revela ela orgulhosa dos resultados que já obteve. “Sempre que participo das ações sindicais da Regional procuro levar minha experiência e transmitir às mulheres a importância de uma vida livre de agrotóxicos”, diz ela.

Atualmente Inês cultiva rosas, produz leite e planta alimentos como feijão e banana em sua propriedade de proximamente 2 alqueire. Seus orgânicos ainda não são vendidos em feiras, mas em breve pretende dar entrada na certificação de orgânico e aí sim expandir sua atuação. Quando perguntada se trocaria o campo pela cidade, responde em meio a risadas: “jamais! Pelo contrário, quero trazer mais gente pra cá!”, disse ela.

E ela não é a única na região. Após pedidos de agricultores que gostariam de aprender mais sobre os orgânicos e o interesse da Usina Itaipu em parceria com a Biolabore em ensinar os produtores da região a cuidar mais do meio ambiente, a hidrelétrica disponibilizou um técnico de campo que, mensalmente, se reúne com um grupo de aproximadamente 20 produtores de orgânicos, entre eles dona Inês. “Tem sido ótimo. Agora estamos também testando a plantação agroecológica. Cada um tem um trechinho de sua terra reservado para isso”, revela, dizendo ainda que este trabalho vai durar 5 anos.


Agroecologia resgatando saberes populares

O técnico, Thiago Henrique De Lai, acompanha as famílias agricultoras na inserção do cultivo agroecológico. “O retorno na agroecologia não diz respeito ao dinheiro, mas sim ao que a natureza devolve na relação estabelecida com ela. A tradição da família e a sabedoria popular de lidar com a natureza é resgatada”, afirma. Além disso, continua ele, na agroecologia o trabalho é desenvolvido de uma maneira prazerosa. “Você colocar uma máscara, uma roupa, num sol de 30 graus e ter que passar veneno, fazer carpina é um trabalho extremamente desgastante e que não gera prazer. A agroecologia é prazerosa, pois é a busca da ligação com a natureza”, conclui.

Mais saúde para quem planta e consome 
Não se trata mais de um sonho, mas sim realidade

Segundo o Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos (CNPO), há no Brasil aproximadamente 16 mil produtores com certificação orgânica. O Paraná é o Estado que mais se destaca pela quantidade, com 2302 agricultores certificados. No mundo, segundo o engenheiro agrônomo do Instituto EMATER, Julio Carlos Bitencourt Veiga Silva, esse número passa de 100 mil produtores orgânicos. Trata-se, portanto, de uma realidade e não mais um sonho distante.

 Além de não prejudicar o meio ambiente, a agricultura orgânica agrega valor ao produto, proporciona o equilíbrio com a natureza, produz alimentos mais saudáveis e, principalmente, preserva a saúde de quem planta e cultiva ao excluir o uso de agroquímicos. “O princípio da produção orgânica baseia-se na utilização de insumos naturais e em técnicas de manejo, como rotação de culturas e adubação verde, entre outros, que preservam o solo, a água, o ar e a saúde”, afirma o agrônomo.

Apesar do movimento em favor da produção e do consumo de orgânicos ser algo relativamente recente, segundo Bitencourt, seu surgimento data ainda da década de 30, quando um pesquisador inglês, Albert Howard, despertou seu olhar para a produção de alimentos na Índia, que adotava técnicas naturais. “Foi a partir das pesquisas dele que a corrente orgânica surgiu muito forte na Inglaterra e nos Estados Unidos”, diz o engenheiro agrônomo do EMATER.

O agroecológico pode ser considerado orgânico, mas o orgânico não pode ser considerado agroecológico

Já a agroecologia teve seus primeiros registros na década de 80 e surgiu também com o propósito de melhorar o sistema de produção agrícola. Diferente da produção orgânica, a agroecológica respeita o modo natural do ecossistema se desenvolver, pensa nos outros seres vivos e trata problemas que surgem com métodos naturais ao invés receitas prontas que parecem com a forma química de resolver, mesmo sendo elas naturais. “Porém, com um grande diferencial: na agroecologia procura-se conhecer a causa dos problemas e tratá-los de maneira ecológica, sem adoção de qualquer tipo de produtos – mesmo que naturais”, informa Júlio. No cultivo orgânico, mesmo com a utilização de defensivos naturais, ainda há a possibilidade de exterminar alguns animais, como as joaninhas por exemplo, que poderiam vir a ser um importante aliado no combate a outras pragas, a exemplo do pulgão.

 Portanto, o agroecológico pode ser considerado orgânico, no entanto, o orgânico não pode ser considerado agroecológico – uma vez que traz consigo a mesma mentalidade de aplicação de defensivos – mesmo que naturais.

Com a palavra, a FETAEP

“A FETAEP vem pautando suas ações no fomento do conhecimento em torno da produção orgânica e agroecológica. Tudo para que a conversão do convencional para o orgânico seja menos traumática, com o devido apoio e assessoramento técnico. Sabemos que trata-se de um processo gradativo e lento, que envolve mudanças não apenas na forma de produzir, mas de pensar. Porém, vale destacar que seguiremos respeitando a produção convencional, desde que seja feita de modo consciente, respeitando a vida de quem consome e produz”, diz o secretário de Política Agrícola da FETAEP, Marcos Brambilla.

 

 

 

 

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